quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Diminutivos, ironia para uma grande canção.


Um cantar sem vibratos e outro puxar de cordas no violão, a urbanização do samba tem nome: Bossa Nova. Com as raízes na elite da capital fluminense, o movimento foi iniciado com nitidez a partir do lançamento do disco "Chega de Saudade" interpretado pelo brilhante João Gilberto. O título do vinil foi inspirado no nome da música tida como marco de início oficial da Bossa brasileira. A canção foi escrita numa parceria de Vinícius de Moraes (letra) e Antonio Carlos Jobim (música) e tem múltiplas versões na voz de outros bossa-novenses.
Sem mais delongas, foco na composição. A letra de "Chega de Saudade" é, antes de tudo, uma declaração de amor. Tendo-a como um poema, o eu-lírico sente saudade da amada e arquiteta o reencontro do casal. Ele lamenta, constantemente, o sofrimento de viver sem a companheira e revela a esperança de tê-la de volta.
O mais impressionante da canção, entretanto, é o uso dos diminutivos. As expressões "peixinhos a nadar no mar" e "beijinhos que eu darei na sua boca", dão o toque principal à letra: torna-a envolvente e sutil. Assim, de forma brilhante, o compositor é terno, sensível e romântico.
Inicialmente, a melodia toca a melancolia com a ponta dos dedos. A parte mediana, por sua vez, ensaia a "recuperação" das notas até que, no final, os acordes expressam otimismo e esperança. Nada mais justo, para o tema da composição.
Enfim, queridos blogueiros, recomendo a canção aos que gostam de Bossa e aos que amam. Vocês, assim como eu, a terão em suas listas de reprodução preferidas.
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim.


CHEGA DE SAUDADE

Vai minha tristeza
e diz a ela que sem ela não pode ser.
Diz-lhe, numa prece
Que ela regresse,
porque eu não posso mais sofrer.
Chega de saudade,
a realidade é que sem ela não há paz,
não há beleza.
É só tristeza
e a melancolia que não sai de mim,
não sai de mim, não sai.

Mas se ela voltar, se ela voltar
que coisa linda, que coisa louca.
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
do que os beijinhos que eu darei na sua boca.
Dentro dos meus braços,
os abraços hão de ser milhões de abraços
apertado assim, colado assim, calado assim.
Abraços e beijinhos, e carinhos sem ter fim.
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim.